NOVA YORK - A nova composição do Conselho de Segurança das Nações Unidas mal foi anunciada nesta quinta-feira e já causa polêmica. Arábia Saudita, Chade e Nigéria - países com um histórico obscuro de desrespeito aos direitos humanos - foram escolhidos numa votação para ocupar as vagas rotativas durante dois anos no órgão mais poderoso da ONU. Chile e Lituânia foram os dois outros eleitos numa votação promovida pelos 193 países da Assembleia Geral para um mandato de dois anos.
Os cinco escolhidos vão substituir Azerbaijão, Guatemala, Marrocos, Paquistão e Togo no conselho de 15 membros a partir de 1º de janeiro de 2014. Mas, grupos de direitos humanos reagiram imediatamente e pediram a sauditas, chadianos e nigerianos que trabalhem imediatamente para melhorar sua política de direitos humanos. Houve protestos.
- Os membros do Conselho de Segurança são rotineiramente chamados para abordar os direitos humanos fundamentais e as questões humanitárias. A Arábia Saudita e o Chade têm registros abismais sobre direitos humanos - queixou-se Hillel Neuer, o diretor-executivo da UN Watch, um grupo de defesa dos direitos humanos radicado em Genebra que monitora a ONU.
A indicação da Arábia Saudita foi a que mais chamou a atenção: o país conquistou 176 dos 191 votos da Assembleia Geral. A potência petrolífera é, ainda, uma sociedade patriarcal que pratica um modelo puritanista do Islã, o wahabismo. É tão ultraconservadora onde as mulheres sequer têm permissão para dirigir e sair desacompanhadas. No mês passado, o reino liderou uma lista de países compilada pelo Banco Mundial sobre os Estados que mais restringem o potencial econômico feminino. Alheio às polêmicas, o embaixador saudita na ONU, Abdullah Al-Mouallimi, comemorou:
- Nossa eleição hoje reflete uma velha política de apoio à moderação e à resolução de disputas por meios pacíficos.
A ONG Human Rights Watch instou o governo de Riad a “limpar seus atos”. Nos bastidores, alguns diplomatas ocidentais, porém, comemoraram a escolha: a presença de um país-chave no mundo árabe poderá dar peso a futuras discussões sobre a guerra civil na Síria. Principalmente quando a família al-Saud tem gasto milhares de dólares para armar a oposição ao regime de Bashar al-Assad.
Dos 15 membros no Conselho de Segurança, apenas cinco são permanentes e com direito a veto: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.