Petrobrás tem lucro de R$ 21,1 bi em 2012, o menor nível desde 2004

05/02/2013 19:53

 

gência Estado

Atualizado às 20h30

SÃO PAULO - A Petrobrás registrou um lucro de R$ 21,182 bilhões em 2012, o menor nível desde 2004. Naquele ano, a Petrobrás reportou lucro de R$ 16,887 bilhões. O resultado de 2012 é também 36,42% menor do que o apurado pela estatal em 2011 (R$ 33,313 bilhões).

No quarto trimestre, a estatal teve um lucro de R$ 7,7 bilhões, cifra 53,4% maior que em igual período de 2011. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou 15%, para R$ 11,9 bilhões, no mesmo período. A receita líquida de outubro a dezembro somou R$ 73,405 bilhões, alta de 12,49% em igual comparação.

No acumulado anual, o Ebitda da Petrobrás atingiu R$ 53,439 bilhões, queda de 14,15% em relação a 2011. Já a receita líquida de janeiro a dezembro somou R$ 281,379 bilhões, expansão de 15,24% em igual base comparativa.

A divulgação do pior lucro anual da Petrobrás desde 2004 é uma consequência dos fatores que levaram a estatal a apresentar de abril a junho do ano passado o primeiro prejuízo trimestral desde 1999. Na oportunidade, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão principalmente em função do resultado negativo registrado pela área de Abastecimento. O prejuízo da área responsável pela compra e venda de combustíveis foi de R$ 7,030 bilhões no intervalo.

Curiosamente, a situação adversa enfrentada pela Petrobrás em 2012 teve origem no aumento da demanda doméstica por seus produtos. A expansão da frota doméstica de veículos leves e a menor competitividade dos preços do etanol resultaram em um aumento da demanda por gasolina. Como a Petrobrás já opera no limite da capacidade de suas refinarias, a oferta interna do combustível é limitada e a estatal foi obrigada a aumentar o volume de gasolina importada. O Brasil também é dependente de diesel de outros países. O problema é que a estatal paga um preço mais alto pelos combustíveis lá fora do que vende aqui dentro e perde com essa defasagem.

Na semana passada, a empresa anunciou um aumento de 6,6% na gasolina e de 5,4% no diesel para o preço de venda nas refinarias. Para o consumidor, o impacto é menor, entre 4% e 5,3%, segundo consultorias. Alguns postos já repassaram o valor para as bombas. Em São Paulo, por exemplo, um posto cobrava R$ 3,019 no dia seguinte ao anúncio, uma alta de 4,1%.

Esses reajustes eram altamente desejados pela Petrobrás, que condiciona a pesada carga de investimentos previstos no plano de negócios (US$ 236 bilhões entre 2012 e 2016) a um preço mais alto do combustível vendido no País. Para 2013, a estatal prevê investimentos de R$ 97,754 bilhões.

O aumento do combustível, contudo, não acaba com a defasagem de preços em relação ao mercado internacional, mas garante a continuidade de projetos e investimentos. Além disso, alivia o caixa da companhia, que registra prejuízo de cerca de US$ 1 bilhão ao mês com a diferença entre os preços de importação de diesel e gasolina e os praticados no mercado doméstico.

Parceiros. Reportagem da agência Reuters mostrou que a Petrobrás tem atrasado pagamentos a fornecedores e provocado dificuldades financeiras na cadeia de prestadores de serviços.

Os atrasos teriam começado após a companhia ter adotado uma política de redução de custos em meio a prejuízos na sua divisão de Abastecimento, aumentos de custos e produção estagnada. Há também o atraso de pagamento para fundos de recebíveis criados para financiar esses prestadores de bens e serviços.



 

Petrobrás (#petrobras)

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Pois é! O Brasil não era auto-suficiente em petróleo? Não era também a indústria mais importante em tecnologia e produção de etanol, podendo revolucionar o parque automotivo? A gestão Petrobrás no governo Lula deixou essa bomba e o governo Dilma Roussef mostra, um mês atrás de outro, sérios problemas de gestão. A inflação está aí, sem controle e não há BC que segure. O Ministério da Fazenda passou 2012 dizendo uma coisa e dez dias depois desmentindo aquilo que foi dito. Este é o governo mais fraco que se viu nos últimos vinte anos. Um ano inteiro para dar um PIB miserável - o Pibinho, um ano inteiro com apagão a toda hora, um ano jogado fora pela falta de ajuste nos preços da Petrobrás - para não afetar ainda mais a inflação crescente! É a história sem fim dos políticos profissionais.