Seleção natural
Seleção natural
Darwin nunca disse que "os mais fortes vencem". A lei de seleção natural preconiza que os seres que sobrevivem são aqueles que se adaptam melhor às mudanças no ambiente onde vivem.
No modelo industrial e na lógica cartesiana que prevaleceram no final do milênio passado, a competição era a melhor estratégia. Os que sobreviveram foram aqueles que competiram melhor. Vivemos hoje em um ambiente onde as redes surgiram para nos ajudar a dar conta de um volume sem precedentes de informação e onde a colaboração se tornou imprescindível para as pessoas e empresas conseguirem sobreviver. Sem ela vamos destruir nossa possibilidade de continuar vivendo neste planeta. No século passado não era assim, não tínhamos esta consciência.
Se o ambiente mudou não faz sentido continuarmos a adotar modelos mentais e organizacionais antigos. Eles deram certo no passado, mas nada garante que continuarão a dar certo no presente e no futuro. Pelo contrário, as evidências são de que precisamos de outros modelos, como aponta Clay Shirky nesta excelente palestra no TED (clique aqui ou na figura para assistir).
Este novo ambiente exige:
- uma nova arquitetura: ao invés de estruturas hierárquicas, piramidais, onde "cada um está no seu quadrado" dentro de uma "caixinha" do organograma, vamos ter que aprender a nos estruturar de forma mais descentralizada, num "desorganograma"...
- novos processos: não mais índios trabalhando e chefes decidindo, "cada um no seu quadrado", mas pessoas interagindo, cooperando e trabalhando de forma autônoma e coordenada
- outras formas de aprendizado: não apenas (nem principalmente) um processo de aprendizado passivo (onde um professor ensina e os alunos aprendem), mas um processo mais interativo e coletivo, onde a inteligência é construída de forma mais coletiva
- uma nova visão de mundo: ao invés de percebermos o mundo sob a ótica cartesiana (dividir para governar, definição de um sistemas de causas e consequências únicas), vamos ter que desenvolver uma visão mais complexa, sistêmica da realidade.
No vídeo, Clay mostra o papel fundamental que teve, no início do século XVII, para o desenvolvimento da ciência a constituição da chamada "Faculdade Invisível", que reuniu vários cientistas outsiders (na época). Eles desenvolveram uma nova forma de se promover a discussão, criaram um Journal (uma forma de publicação mais ágil e dinâmica que um livro) e uma nova metodologia de trabalho onde as pessoas tinham que descrever como tinham feito suas experiências de forma a que qualquer pessoa pudesse reproduzi-las. As pessoas enviavam suas contribuições para a Revista e aquelas que eram consideradas as mais interessantes eram publicadas.
As pessoas selecionavam para publicar.
E hoje?
Para Shirky, os cientistas que estão na fronteira do processo de produção de conhecimento e que estão experimentando novas formas de se produzir conhecimento de uma forma mais descentralizada, autônoma e colaborativa são aqueles que estão desenvolvendo software aberto, como Linus Torvalds. As estruturas em que eles trabalham são totalmente descentralizadas e partem do pressuposto que cada pessoa pode trabalhar e contribuir de forma autônoma e independente para a construção do conhecimento coletivo. Querer trabalhar de forma colaborativa, mas manter estruturas hierárquicas ou mesmo times-equipes (onde cada um executa uma função pré determinada) é ineficaz e pouco produtivo. O interessante é que não desaparece o controle, ele simplesmente se dá de outra forma. É um auto controle. As pessoas cooperam sem coordenação e como cada um sabe quem fez o que, as cobranças e controles acontecem de forma natural e descentralizada. Todos publicam e sobrevivem aquelas ideias que todos consideram melhor, e não apenas um grupo...
As pessoas publicam para selecionar.
Um bom exemplo do funcionamento desta nova forma de cooperação sem coordenação foi a convocação daquelas manifestações de junho de 2013, em particular aquela que reuniu milhões de pessoas no Rio, São Paulo e Brasília. Quantas manifestações foram convocadas sem sucesso? Um monte. Por que NAQUELA tinham milhões? Sei lá! Uma série de circunstâncias, fatos... As pessoas foram publicando seus convites para manifestações, e as pessoas escolhiam qual delas queria ir. Cooperar sem coordenar ainda é uma novidade. Como diria o Paulinho da Viola "as coisas estão no mundo, só que é preciso aprender". Precisamos aprender com as coisas que estão neste novo mundo...
Todo este processo é muito novo e ainda temos muito a aprender, mas me parece claro que a era do "manda quem pode, obedece quem tem juízo" está chegando ao fim. Os que ainda insistirem nesta lógica ou que preferirem continuar sendo levados pela mão ao invés de buscar seus próprios caminho, podem estar com seus dias contados. Como os dinossauros em priscas eras...
20.11.2013
|12h02m
Por que você é cliente do Banco do Brasil?
Eu já fui cliente do Banco do Brasil. Como todos os funcionários públicos federais eu era obrigado a ser. Quando o obrigatoriedade acabou fui correndo mudar minha conta para a Caixa Econômica Federal. E não me arrependo: consegui a melhor taxa de financiamento imobiliário e a Caixa é o banco com as menores taxas de juros e as mais baixas tarifas do mercado.

Infelizmente vou ter que voltar a ser cliente deste banco. Acabei de receber uma bolsa do CNPq (órgão que financia a pesquisa no Brasil) e eles só pagam as bolsas através de uma conta no Banco de Brasil. Fui abrir uma conta levando meus documentos, uma cópia do contracheque da UFRJ e uma conta de luz. Achei que ia resolver tudo em cinco minutos. Ledo engano... esqueci que era o Banco do Brasil. A moça que me atendeu, muito simpática, pediu o original assinado da carta do CNPq concedendo a bolsa. Disse a ela que o CNPq não manda mais "cartas"; ele envia a confirmação da concessão da bolsa por email. Ela me mostrou uma "resolução do Banco do Brasil":
"para abrir conta de Pesquisador receba dos pesquisadores documento original com a autorização do gestor financeiro (órgão responsável pela concessão da bolsa) ou do substituto da Unidade Gestora solicitante, para abertura da conta".
Observação: copiei literalmente o que estava escrito, com este atentado ao português no final.
Falei então que abriria uma conta normal, já que até eu convencer o CNPq a me mandar um documento original que eles não emitem mais ia demorar alguns meses. Aí ela me pediu o original do contracheque. Mostrei no site do Ministério do Planejamento e Gestão a informação de que os nossos contracheques deixaram de ser emitidos, que agora é só na internet, mas ela não se convenceu! Exige um papel que não existe mais!!!! Detalhe: a impressão do contracheque não serve!
Perguntei para que ela precisa do meu contracheque para abrir uma conta e ela me disse que era para a análise do crédito. Disse que não queria crédito nenhum, que a minha conta não precisa permitir saldo negativo, que o banco não corria nenhum risco de nenhum prejuízo, mas nada a convenceu a abrir minha conta. Precisava desta papelada que não existe mais... Só o Banco do Brasil ainda não sabe.
Alguém aí podia me dizer por que alguém deveria se cliente do Banco do Brasil? Eu realmente estou MUITO curioso de conhecer algum motivo razoável para isto. Sadomasoquistas: favor se absterem...
5.11.2013
|9h44m
Anunciaram e garantiram que o Rio ia parar...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
(E o mundo não se acabou.... Assis Valente)
O presidente do Departamento estadual de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre, fez questão de garantir, em entrevista durante o fim de semana, que nesta segunda feira teríamos "o maior engarrafamento da história do Rio de Janeiro"; no Facebook milhares de pessoas curtiram a participaram de um grupo que anunciava um "engarrafamento perimetral"; diversos especialistas se pronunciaram, e o mundo não se acabou...
Criou-se uma enorme expectativa e ela não se realizou e o resultado disso é uma sensação de satisfação. Achamos que a satisfação dos clientes depende exclusivamente da qualidade dos produtos e serviços que entregamos, mas isto não é verdade. Quando fui pela primeira vez a Europa, meu pai me "obrigou" a ir a Florença, "berço dos Cavalcanti, a cidade mais linda do mundo, uma cidade espetacular", etc... Quando cheguei na cidade liguei pra ele para ter certeza que tinha visitado os locais certos porque achei a cidade bonita, mas muito longe de ser a cidade mais espetacular e linda do mundo. Fiquei decepcionado não porque a cidade não seja bela, mas porque minha expectativa era muito alta.
O episódio da derrubada da Perimetral deveria servis de aprendizado para políticos e gestores sobre como lidar com expectativas e o que efetivamente entregamos para as pessoas...
Só fico me perguntando onde está o Diretor do DETRO... O pior é que hoje de manhã, na BAND NEWS ouvi que o trânsito num trecho da avenida Brasil estava complicado devido a duas blitz..... do DETRO-RJ! Será que o cara resolveu dar sua "contribuição" para que suas profecias se realizem? Seria lamentável se for verdade. De qualquer forma, o que o diretor do DETRO e os especialistas que vaticinaram o caos têm a dizer? Fiquei sinceramente curioso...Seleção natural
Darwin nunca disse que "os mais fortes vencem". A lei de seleção natural preconiza que os seres que sobrevivem são aqueles que se adaptam melhor às mudanças no ambiente onde vivem.
No modelo industrial e na lógica cartesiana que prevaleceram no final do milênio passado, a competição era a melhor estratégia. Os que sobreviveram foram aqueles que competiram melhor. Vivemos hoje em um ambiente onde as redes surgiram para nos ajudar a dar conta de um volume sem precedentes de informação e onde a colaboração se tornou imprescindível para as pessoas e empresas conseguirem sobreviver. Sem ela vamos destruir nossa possibilidade de continuar vivendo neste planeta. No século passado não era assim, não tínhamos esta consciência.
Se o ambiente mudou não faz sentido continuarmos a adotar modelos mentais e organizacionais antigos. Eles deram certo no passado, mas nada garante que continuarão a dar certo no presente e no futuro. Pelo contrário, as evidências são de que precisamos de outros modelos, como aponta Clay Shirky nesta excelente palestra no TED (clique aqui ou na figura para assistir).
Este novo ambiente exige:
- uma nova arquitetura: ao invés de estruturas hierárquicas, piramidais, onde "cada um está no seu quadrado" dentro de uma "caixinha" do organograma, vamos ter que aprender a nos estruturar de forma mais descentralizada, num "desorganograma"...
- novos processos: não mais índios trabalhando e chefes decidindo, "cada um no seu quadrado", mas pessoas interagindo, cooperando e trabalhando de forma autônoma e coordenada
- outras formas de aprendizado: não apenas (nem principalmente) um processo de aprendizado passivo (onde um professor ensina e os alunos aprendem), mas um processo mais interativo e coletivo, onde a inteligência é construída de forma mais coletiva
- uma nova visão de mundo: ao invés de percebermos o mundo sob a ótica cartesiana (dividir para governar, definição de um sistemas de causas e consequências únicas), vamos ter que desenvolver uma visão mais complexa, sistêmica da realidade.
No vídeo, Clay mostra o papel fundamental que teve, no início do século XVII, para o desenvolvimento da ciência a constituição da chamada "Faculdade Invisível", que reuniu vários cientistas outsiders (na época). Eles desenvolveram uma nova forma de se promover a discussão, criaram um Journal (uma forma de publicação mais ágil e dinâmica que um livro) e uma nova metodologia de trabalho onde as pessoas tinham que descrever como tinham feito suas experiências de forma a que qualquer pessoa pudesse reproduzi-las. As pessoas enviavam suas contribuições para a Revista e aquelas que eram consideradas as mais interessantes eram publicadas.
As pessoas selecionavam para publicar.
E hoje?
Para Shirky, os cientistas que estão na fronteira do processo de produção de conhecimento e que estão experimentando novas formas de se produzir conhecimento de uma forma mais descentralizada, autônoma e colaborativa são aqueles que estão desenvolvendo software aberto, como Linus Torvalds. As estruturas em que eles trabalham são totalmente descentralizadas e partem do pressuposto que cada pessoa pode trabalhar e contribuir de forma autônoma e independente para a construção do conhecimento coletivo. Querer trabalhar de forma colaborativa, mas manter estruturas hierárquicas ou mesmo times-equipes (onde cada um executa uma função pré determinada) é ineficaz e pouco produtivo. O interessante é que não desaparece o controle, ele simplesmente se dá de outra forma. É um auto controle. As pessoas cooperam sem coordenação e como cada um sabe quem fez o que, as cobranças e controles acontecem de forma natural e descentralizada. Todos publicam e sobrevivem aquelas ideias que todos consideram melhor, e não apenas um grupo...
As pessoas publicam para selecionar.
Um bom exemplo do funcionamento desta nova forma de cooperação sem coordenação foi a convocação daquelas manifestações de junho de 2013, em particular aquela que reuniu milhões de pessoas no Rio, São Paulo e Brasília. Quantas manifestações foram convocadas sem sucesso? Um monte. Por que NAQUELA tinham milhões? Sei lá! Uma série de circunstâncias, fatos... As pessoas foram publicando seus convites para manifestações, e as pessoas escolhiam qual delas queria ir. Cooperar sem coordenar ainda é uma novidade. Como diria o Paulinho da Viola "as coisas estão no mundo, só que é preciso aprender". Precisamos aprender com as coisas que estão neste novo mundo...
Todo este processo é muito novo e ainda temos muito a aprender, mas me parece claro que a era do "manda quem pode, obedece quem tem juízo" está chegando ao fim. Os que ainda insistirem nesta lógica ou que preferirem continuar sendo levados pela mão ao invés de buscar seus próprios caminho, podem estar com seus dias contados. Como os dinossauros em priscas eras...
20.11.2013
|12h02m
Por que você é cliente do Banco do Brasil?
Eu já fui cliente do Banco do Brasil. Como todos os funcionários públicos federais eu era obrigado a ser. Quando o obrigatoriedade acabou fui correndo mudar minha conta para a Caixa Econômica Federal. E não me arrependo: consegui a melhor taxa de financiamento imobiliário e a Caixa é o banco com as menores taxas de juros e as mais baixas tarifas do mercado.

Infelizmente vou ter que voltar a ser cliente deste banco. Acabei de receber uma bolsa do CNPq (órgão que financia a pesquisa no Brasil) e eles só pagam as bolsas através de uma conta no Banco de Brasil. Fui abrir uma conta levando meus documentos, uma cópia do contracheque da UFRJ e uma conta de luz. Achei que ia resolver tudo em cinco minutos. Ledo engano... esqueci que era o Banco do Brasil. A moça que me atendeu, muito simpática, pediu o original assinado da carta do CNPq concedendo a bolsa. Disse a ela que o CNPq não manda mais "cartas"; ele envia a confirmação da concessão da bolsa por email. Ela me mostrou uma "resolução do Banco do Brasil":
"para abrir conta de Pesquisador receba dos pesquisadores documento original com a autorização do gestor financeiro (órgão responsável pela concessão da bolsa) ou do substituto da Unidade Gestora solicitante, para abertura da conta".
Observação: copiei literalmente o que estava escrito, com este atentado ao português no final.
Falei então que abriria uma conta normal, já que até eu convencer o CNPq a me mandar um documento original que eles não emitem mais ia demorar alguns meses. Aí ela me pediu o original do contracheque. Mostrei no site do Ministério do Planejamento e Gestão a informação de que os nossos contracheques deixaram de ser emitidos, que agora é só na internet, mas ela não se convenceu! Exige um papel que não existe mais!!!! Detalhe: a impressão do contracheque não serve!
Perguntei para que ela precisa do meu contracheque para abrir uma conta e ela me disse que era para a análise do crédito. Disse que não queria crédito nenhum, que a minha conta não precisa permitir saldo negativo, que o banco não corria nenhum risco de nenhum prejuízo, mas nada a convenceu a abrir minha conta. Precisava desta papelada que não existe mais... Só o Banco do Brasil ainda não sabe.
Alguém aí podia me dizer por que alguém deveria se cliente do Banco do Brasil? Eu realmente estou MUITO curioso de conhecer algum motivo razoável para isto. Sadomasoquistas: favor se absterem...
5.11.2013
|9h44m
Anunciaram e garantiram que o Rio ia parar...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
(E o mundo não se acabou.... Assis Valente)
O presidente do Departamento estadual de Transportes Rodoviários (Detro), Rogério Onofre, fez questão de garantir, em entrevista durante o fim de semana, que nesta segunda feira teríamos "o maior engarrafamento da história do Rio de Janeiro"; no Facebook milhares de pessoas curtiram a participaram de um grupo que anunciava um "engarrafamento perimetral"; diversos especialistas se pronunciaram, e o mundo não se acabou...
Criou-se uma enorme expectativa e ela não se realizou e o resultado disso é uma sensação de satisfação. Achamos que a satisfação dos clientes depende exclusivamente da qualidade dos produtos e serviços que entregamos, mas isto não é verdade. Quando fui pela primeira vez a Europa, meu pai me "obrigou" a ir a Florença, "berço dos Cavalcanti, a cidade mais linda do mundo, uma cidade espetacular", etc... Quando cheguei na cidade liguei pra ele para ter certeza que tinha visitado os locais certos porque achei a cidade bonita, mas muito longe de ser a cidade mais espetacular e linda do mundo. Fiquei decepcionado não porque a cidade não seja bela, mas porque minha expectativa era muito alta.
O episódio da derrubada da Perimetral deveria servis de aprendizado para políticos e gestores sobre como lidar com expectativas e o que efetivamente entregamos para as pessoas...
Só fico me perguntando onde está o Diretor do DETRO... O pior é que hoje de manhã, na BAND NEWS ouvi que o trânsito num trecho da avenida Brasil estava complicado devido a duas blitz..... do DETRO-RJ! Será que o cara resolveu dar sua "contribuição" para que suas profecias se realizem? Seria lamentável se for verdade. De qualquer forma, o que o diretor do DETRO e os especialistas que vaticinaram o caos têm a dizer? Fiquei sinceramente curioso...