A SUNTUOSIDADE DA AMAN!

28/11/2015 14:16
Tânia Botter adicionou 2 novas fotos.
3 h
 

O que se conta sobre a suntuosidade da AMAN.
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Na década de 30 (1930) tempo de II Guerra Mundial, a construção da AMAN havia parado por falta de verbas; funcionava no Rio a velha Escola Militar de Realengo, instituição que formou muitos militares conhecidos no século passado, como Castello Branco e os outros generais presidentes.

Naquela época uma das diversões do cadete era montar nos dias de folga. Oito amigos nos fins de semana costumavam cavalgar. Oito companheiros inseparáveis saíam sempre juntos, um ajudava ao outro nos estudos, nas dificuldades. Irmãos por escolha, por opção. Em algumas noites eles costumavam sorrateiramente cavalgar até uma boate de mulheres que havia em Botafogo. Naquela época prostitutas namoravam. Os oitos cadetes vestiam-se apenas com pelerine (capa militar azul marinho sem mangas), botas e o quepe a Príncipe Danilo, o mulherio se assanhava quando eles apareciam. Havia um detalhe: por baixo das pelerines eles nada vestiam, todos nus; faziam farras tremendas no cabaré de Botafogo. Os cadetes cavalgavam nus, dançavam nus, apenas cobertos pela pelerine. Certamente iam nus para os quartos das prostitutas apaixonadas. Era alto risco, se fossem apanhados pela Patrulha Militar pegariam cadeia ou até expulsão.

Certa noite depois de dançar com as mulheres, depois de se deitarem com as “namoradas”, os oito amigos montaram nos cavalos escondidos no mato e com um grito de comando dispararam pela estrada de barro retornando a Realengo. Quando passavam por uma rua, por volta das 23 horas, viram numa esquina escura quatro homens assaltando, batendo num senhor que pedia clemência, que não lhe matassem. Os cadetes, os oitos cavaleiros, não precisaram combinar, puxaram as rédeas e os cavalos dirigiram-se para o local do assalto, com destemor e muita garra desmontaram dos cavalos ainda a galope, agarraram os bandidos. Dois socorreram o cidadão que já devia ter mais de 50 anos, os outros prenderam os marginais. Entregaram os facínoras numa delegacia próxima, e o velho ferido foi deixado num hospital.

Na segunda-feira durante a formatura matinal, o comandante da Escola pediu à tropa para que os cadetes que tinham salvado a vida de um cidadão se apresentarem, o filho desse senhor estava ali para agradecer. Os oito amigos não se revelaram, receio de pegar cadeia. Só depois do comandante muito insistir e promessa de não haver punição, os cadetes se apresentaram. Foram levados à presença do velho no hospital. Era nada mais nada menos que Henrique Lage, um dos homens mais ricos do Brasil, donos de empresas, inclusive o Loyde Nacional, companhia de navios que fazia a costa brasileira. O rico senhor agradeceu aos cadetes e perguntou qual a precisão de cada um, eles dissessem o que queriam, casa ou carro, ou o que fosse. Os oito amigos pediram para pensar. Reuniram-se, discutiram muito. No outro dia foram ao ricaço, nada queriam para eles, pediam que ele ajudasse a terminar a construção da Academia Militar das Agulhas Negras que estava paralisada. O velho deu a ordem, mandou buscar o mais fino mármore de Carrara na Itália para o revestimento, mandou comprar todo o piso da Academia em granito. Até hoje perdura o luxo e a suntuosidade daquele belíssimo conjunto arquitetônico. A AMAN é considerada a mais bonita Academia Militar do mundo, graças à digna história dos oito cadetes, hoje anônimos militares reformados de nomes esquecidos, mas o belo gesto, a coragem, o destemor e o amor à sua Escola tornaram-se lenda, sempre lembrada nas reuniões militares.

 
Foto de Tânia Botter.
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Você, Maria José Diniz Magno Pinto e outras 7 pessoas curtiram isso.
8 comentários
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Maria José Diniz Magno Pinto Adorei. E não sabia nada sobre isso.
 
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Ana Lucia Medina Neves Que estória emocionante. Acredito que poucos sabem dela.
 
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Tânia Botter Todos confirmam a história do mecenas Henrique Lage e alguns poucos (raros mesmo) acham que pode ser fantasiosa a história sobre os cadetes. Pelo sim, pelo não e à guisa de comprovações em contrário, prefiro acreditar também na história dos cadetes.
 
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Marta Serrat Me deu tanta saudade agora. Eu frequentei durante 7 anos todos esses salões e só hoje estou sabendo da historia da AMAN. Lindaaaa. Obrigada Tania.
 
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Paulo Coimbra Vemprarua Muito nobre a escolha dos cadetes
 
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Saib Urbano Até hoje nos registros da Academia consta o nome de Henrique Lage como cadete numero 0001 sendo a ele distribuido o espadim de mesmo número.
 
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Tânia Botter Exatamente, Saib Urbano, inclusive, a história conta que Henrique Lages queria servir às FAs mas por ter problemas de pulmão foi rejeitado, dessa forma, com muito prazer ele trouxe os mármores de Carrara para embelezar a AMAN. E ele consta mesmo como o "01".
 
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Fátima Lessa Que lindo!